Estudos da Literatura de Mato Grosso

Artigos de pesquisadores e Informações de ações do Núcleo Estudos da literatura de Mato Grosso Wlademir Dias-Pino

13.6.11

Para que serve a literatura e a dificuldade de ensiná-la

 

            Dizer que a
literatura não serve para nada consiste em forma primária de ironia. Não serve
para nada em se pensando em mensagem utilitária para o aqui e o agora das
exigências do mercado. O desserviço neste sentido implica um serviço bem mais
essencial.

            Quando
pensamos literatura não estamos considerando qualquer produção escrita. Estamos
falando de ficção, lirismo, subjetividade, conotação. Você não destila um
conceito de um livro de literatura, mas sente-se diferente por conta desta
compreensão das coisas que se dá pelo viés do sentimento: compreender sentindo.
É uma maneira essencial de apreensão das coisas o que a literatura proporciona,
uma compreensão da vida e dos requintes e idiossincrasias de uma cultura, uma
forma especial de conhecimento, complemento da vida, nunca substituto, mas um
arranjo (estetização) que alarga nossa compreensão da realidade. Literatura é
uma mentira que amplia e ilumina a verdade das coisas. Eis, pois, um paradoxo inerente
a nossa complexa natureza.

            A natureza
humana é essencialmente estética e lúdica. Nosso desejo de ficção é uma prova
cabal disto e o sonho é um exemplo inequívoco deste desejo de ficção. E não
sonhamos somente dormindo, não é verdade? E a organização da realidade de uma
forma compreensiva exige que se venha à clara consciência as contradições
mascaradas no caos. A verdade conceitual tem suas limitações nesta tarefa. É
quando a ficção nos salva, como já disse, organizando nossa compreensão pelos
sentidos.

            Por fim, se
torna inócuo discutir para que sirva a literatura diante da verdade de que não
vivemos sem ela. A mais ferrenha ditadura não pode inibi-la como o prova nosso
recente estado de exceção, a partir dos anos 60 do século passado, mas aguçou-lhe,
efervescentemente.

            Bem, este
debate veio à tona em sala-de-aula, quase que por acidente, em meio à aula de
literatura brasileira, curso de Letras, UNEMAT, Tangará da Serra, Mato Grosso,
Brasil… E por mais que eu rearranjasse minha fala ficava-me sempre a sombra
da incompreensão por conta, talvez, do pragmatismo da nossa realidade, infensa à
metafísica da arte e, também, a dificuldade que o curso oferecia. Na verdade, a
frágil convicção dos alunos já havia sido abalada pelo próprio corpo docente no
sentido da desnecessidade de estudar literatura. Guerra territorial em nome da
interdisciplinaridade. Isto, por excêntrico que possa parecer, em um curso de
Letras. Este fato, aliás, foi o principal motivador deste artigo. Ora, por que
estudá-la?

            Tateei respostas:
as implicações da academia em torno da complexidade do conceito do que seja literatura,
a formação de docentes no reconhecimento do tipo de conhecimento que representa
a literatura e a necessidade de seleção do material adequado para a escola em
todos os seus níveis. Objeto problematizável a literatura, desde sempre, as
primeiras indagações neste sentido remontam às primeiras produções… mas, por
mais que argumentasse permanecia um estranho vazio.

            Depois,
terminada a aula, pensando, rememorando algumas falas, conclui coisa que já
sabia, cujo acontecimento significou exemplo esclarecedor: faltou-lhes, desde
sempre, a literatura em suas vidas, notadamente na escola.

            Disse,
pouco acima, que não vivemos sem a literatura e agora digo que padecemos o problema
da sua ausência no próprio curso de letras.

            Se, por um
lado absorvi o fracasso de minha aula, por outro acreditei no poder do tempo no
processo de redenção da literatura na escola. Diante do estudo de diferentes
áreas lá estará ela, respondendo e anunciando caminhos. E mesmo que
perspectivas reducionistas preguem a desnecessidade do seu estudo haveremos de
estudá-la como assim tem feito antropólogos, sociólogos, psicólogos,
historiadores e os profissionais da palavra do curso de letras. Este último, o
seu lugar epistemológico.

 

Dante Gatto, gattod@terra.com.br, Professor da UNEMAT de
Tangará da Serra

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12.11.10

Ideologia e contra-ideologia na obra de Machado de Assis.

(Palestra no Maria Antonia - São Paulo - , em 11 de novembro de 2010)

Dante Gatto

 

            Este texto, por razões que penso óbvias, não deve de modo algum, ser tomado como referência, tanto do pensamento de Bosi quanto dos dados da biografia de Machado. Vale tão somente como reflexão.

            Machado de Assis escreveu 09 romances e mais de 200 contos. Bosi comenta aspectos da sua vida, que chama de extraordinária: grande mestre do final do século XIX, admirado por Rui Barbosa e Joaquim Nabuco. Teve uma vida, no funcionalismo público, de ascensão impressionante e não obstante os impedimentos raciais e a doença (epilético e gago) nada o impediu sua projeção social e reconhecimento intelectual, mesmo em vida. Comentou-se seu casamento com Carolina que tinha laços de nobreza, o fato de ter fundado a Academia, e o de ter sido “agregado” à casa da madrinha que teve profunda repercussão psicológica na sua obra. 

            A questão fundamental que orienta a fala de Bosi é a seguinte: como Machado tendo escrito romances convencionais, A mão é a luva, Iaiá Garcia, Helena (não sei o porquê ele não comentou nada de Ressurreição), avançou para uma segunda fase em que demonstra enorme ceticismo em relação à humanidade? Esta separação por fases da sua produção, inclusive, foi estabelecida por ele mesmo e não pelos críticos. Tal descrença ele mesmo confessa a Mario de Alencar, filho de José de Alencar que era muito seu amigo e o conduzia pelo Rio de Janeiro quando ele ficou doente.

            As personagens idealistas, próprias do romantismo da sua primeira fase, são substituídas por personagens frívolas, medíocres, hipócritas etc. resultado do já citado desencantamento em relação à humanidade. Pode-se dizer que ele distinguia as personagens da primeira fase em apegadas e desapegadas. Alencar já era mais maniqueísta. A primeira fase, de Machado, constituía assim um lusco-fusco para o realismo.

            As três personagens protagonistas, dos romances acima citados, são diferentes entre si. Bosi comentará, dentro da perspectiva ideologia versus contra-ideologia, o desempenho de Guiomar, de A mão e a luva, e Helena, de Helena. Entenda-se por ideologia a naturalização (aceitação) da situação social em que se vive que na verdade é um fenômeno histórico; A explicitação da conscientização de tal fenômeno seria, portanto, a contra-ideologia.

            Lembra a questão de que na romanesca machadiana as relações entre senhores e agregados é muito forte. Isto dará o tempero aos conflitos. Intensa a presença de escravos, mas localizada em certas peças (comenta rapidamente “O caso da vara e “Pai contra mãe”). O universo do agregado implica profunda ambigüidade pela reconhecimento ao benfeitor combinado ao desconforto da dependência.

            Guiomar vivia em casa contígua à madrinha e depois passara a condição de agregada. Há uma cena em que a benévola madrinha recebe a visita de três moças e o que fica na consciência de Guiomar é o lugar delas em relação ao seu, o que é determinado por um elementos externo: a vestimenta. No século XIX, e até meados do século XX - há quem diga que até hoje - a roupa exerce profunda importância enquanto “máscara social”, indício de classe social. A maneira que Guiomar arquitetará para alçar-se socialmente será o casamento uma vez anunciados os candidatos. O candidato 1, Jorge, era, digamos assim, um bom partido, notadamente por ser sobrinho de sua madrinha e ocupar uma posição social respeitável, mas faltava-lhe alguma coisa que Guiomar prezava muito. Seria, pois, bem vista pela madrinha o que era confortável também a sua psicologia de agregada, que, como Bosi lembra, orientava as narrativas machadianas. O candidato 2, Alves, não tinha uma posição social aristocrática como o primeiro, mas tinha forte espírito empreendedor. Eis ai o aspecto ideológico que depois eu explicarei melhor. Guiomar, por sua vez, arranjará a situação: dará indicativos ao candidato 2 para que “peça-lhe a mão” e representará, no sentido teatral, para que a madrinha aceite a situação e lhe dê em casamento para Alves e não ao primeiro como era a vontade de bondosa senhora. Tudo se arranja, portanto: “a mão e a luva”. A vitoria é, por fim, da ideologia burguesa que avança sobre a realidade social erigindo os seus valores.

            Helena, protagonista de Helena é diferente. O conselheiro Vale deixa-lhe uma herança e ela acaba sendo agregada à família do mesmo, mas não abandona o verdadeiro pai. Resumindo é concluindo, Helena não se acomoda a situação e acaba, nas palavras de Bosi, “morrendo de pudor”, por conta de uma “pureza estratosférica”.

            Bosi comenta que Lucia Miguel Pereira, na sua opinião, em 1947, escreveu o melhor livro sobre Machado de Assis em que faz uma análise psicanalítica. Machado teria transportando as suas personagens femininas o “drama da ingratidão”. Na base, está o seu afastamento dos familiares pobres depois da ascensão social. Em Machado, havia, pois, uma Helena cheia de escrúpulos e uma Guiomar afeita soberanamente a “subir na vida”.

            Resumindo, Guiomar representa a ideologia e Helena a contra-ideologia. Ambas resultantes da ambigüidade psicológica de Machado de Assis.

            Na segunda fase intensifica-se a força do social, em detrimento à força do individual como ocorreu notadamente em Helena. Tentando sintetizar o fenômeno, podemos dizer que a sociedade pressiona o eu, o ego, de tal forma que o individuo se amolda aquilo que querem que ele seja. Bosi explora como exemplo o conto “O espelho” (”metáfora do olhar do outro”). Conto antecessor do modernismo-surrealismo que viria explodir quase quarenta anos depois. Jacobina, porque estava sozinho na fazenda da tia, para se reconhecer tem de olhar-se no espelho com a farda de alferes. O alferes, que representa o poder do papel social, venceu o homem. A segunda fase machadiana será a exploração dos aspectos de uma sociedade ideologizada que Guiomar anunciou exemplarmente, funcionando como elo entre as duas fases.

            Bosi ainda fará comentário do indianismo conservador de Alencar em detrimento do indianismo nobre, belo e rebelde de Gonçalves Dias e terminara sua palestra com uma frase lapidar referindo-se aos pontos ideológicos da obra de Monteiro Lobato: uma grande obra de arte é uma missão de humanidade, mesmo que deixe aflorar aspectos ideológicos.

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2.11.10

(In) Disciplina na Sala de Aula

 Liduína Maria de Sousa Pereira

 

Universidade do Estado de Mato Grosso

               

Resumo

 A indisciplina na sala de aula é um desafio para as instituições sociais. O objeto de estudo é bastante amplo e tem várias interpretações, pois é exatamente por ter muitas faces que a indisciplina na sala de aula tem intrigado bastante a todos que se colocam na busca de uma solução ou de uma verdade para essa realidade que acontece principalmente entre o professor e o aluno. A análise das causas e das consequencias do surgimento, ou melhor, do aumento da indisciplina e algo que todos desejam entender e sanar. No enfrentamento dessa crise, a sociedade por meio de seus representantes: pesquisadores, gestores etc. Vem tratando de discutir e procurar formas de chegar a uma resposta, para que o ato de estudar seja apenas um momento de aprendizado e prazer entre o professor e o aluno.

 

Palavras chaves: Indisciplina; Educação; Sala de Aula.

 

Resumen

 La indisciplina en el aula es un desafío a las instituciones sociales. El objeto de estudio es muy amplio y tiene varias interpretaciones, es precisamente por haber muchas caras que la indisciplina en el aula ha intrigado lo suficiente como para todos los que se ponen en la búsqueda de una solución o una verdad a esta realidad particularmente cierto entre los profesor y el alumno. El análisis de las causas y consecuencias de la aparición, o más bien el aumento de la indisciplina y algo que todo el mundo quiere entender y remediar. Para hacer frente a esta crisis, la sociedad a través de sus representantes: investigadores, gestores, etc, está tratando de discutir y buscar la manera de llegar a una respuesta, que el acto de estudiar es un momento de placer y de aprendizaje entre el profesor y el estudiante .

 

Palabras claves: Educación; perturbador; Clase.

 

  1.  

 

  1. Introdução

 

Este trabalho visa à análise da questão indisciplina na sala de aula, o objetivo é propor a continuação das discussões entorno de um dos assuntos mais discutidos atualmente na sociedade, esse acontecimento nas escolas leva a todos a quererem saber os porquês das causas e conseqüências desse fenômeno, que assola as salas de aulas da rede de educação. São muitos os questionamentos para se chegar às respostas.

       Para tanto iremos analisar textos de renomados pesquisadores, onde destacamos: (Vasconcellos, 2006), (Mesquita Filho, 2009), (Aragão A, 2009), para que assim através de seus pareceres possamos chegar a um texto, que também contribua com a continuação dessa discussão, acreditando que a indisciplina na sala de aula seja algo que venha a desaparecer em um futuro próximo.

 

  1. Falta de “Educação” gera indisciplina

 

O que motiva a indisciplina na sala de aula? A resposta é o desejo de toda a sociedade, e na busca de resposta existem várias teorias, pois para uns é o modo como o aluno reage negativamente ás imposições de regras e limites, dentro da família, no colégio e em todo o seu ambiente social, já para outros, a indisciplina se dá pelo fato contrário, é a autodefesa de regras e limites exagerados.

Na sociedade todos sabem que tem regras de convivência, são essas imposições que tornam o ser um sujeito social, porém a criança e o adolescente, são pessoas que ainda estão em formação, precisam ter acesso às regras sociais para que se formem pessoas sociáveis.

Para tanto deve ser mostrado ou ensinando a eles todos os códigos de ética e convivências sociais, por todas as instituições. A criança faz parte de uma grande rede social envolvendo principalmente a família e a escola, o aluno deve saber que ele tem que obedecer aos regimentos éticos e morais do colégio onde estuda, e também aos seus pais. Entretanto, na forma como tudo é colocado para a criança, é que está o problema. Em algumas entidades tudo é levado ao extremo, já em outras, o que manda é a vontade do aluno e até mesmo com a intromissão de seus pais, determinando como ele deve ser tratado e impondo exclusividade dentro da instituição.

          Existem também os casos de desajustes familiares, onde pais sem nenhuma estrutura social e psicológica para educar seus filhos, passam informações negativas e erradas para os mesmos através de seus exemplos de vida, e assim a criança vive em vários mundos e conceitos de certo ou errado, pois a cada meio social que convive, seja na escola com os amigos ou no lar e vai ser formando um ser social sem referência de educação e convívio social. Esse é um dos agravantes para o surgimento do aluno indisciplinado, transformando-se no adulto com vários transtornos sociais.

São múltiplos os exemplos para a melhoria da educação e para a construção de um melhor relacionamento entre aluno e professor, um deles é a autoridade do profissional, ele tem que ser visto como alguém que tem compromisso profissional e possui, entre outros, o direito e o dever de intermediar o conhecimento socialmente produzido para o educando, outro é o reconhecimento e valorização da família como um núcleo gerador das primeiras noções de cidadania e valorização do próximo, aprendendo que deve respeitar o conhecimento e a autoridade é que o aluno poderá respeitar as instituições.

 

 Muitas vezes o professor não conseguiu disciplina porque não tem autoridade diante dos alunos. Normalmente o professor espera que o aluno traga um reconhecimento natural para com sua pessoa; historicamente, este tempo passou. Isso acontecia quando a escola representava um inquestionável caminho de ascensão social e, dessa, forma, o professor era um dos seus representantes mais qualificados e como tal era tratado ( ainda que fosse um respeito meramente formal). Hoje tudo mudou esse tratamento de respeito tem de ser conquistado pelo professor.    (VASCONCELLOS, 2006, p.54)

 

       Hoje a relação entre professor e aluno, está muito tumultuada, pois as convenções os valores muitas vezes não se encaixam. Em virtude da globalização e do uso das diferentes mídias, os alunos se entediam ao ficarem sentados diante de uma pessoa falando para eles o que podem ver ou ficarem sabendo apenas em um click no computador. É indiscutível a falta de vontade de um grande numero de alunos em ficarem em sala de aula em virtude desse e de outros motivos aqui já citados.

 

 

 As crianças não enxergam a utilidade de um regimento ou dos famosos combinados que não se sustenta. Elas não sentem a necessidade de respeitá-los e acabam até se voltando contra essas normas. (ARAGÃO, 2009, p.79)

 

Quando o professor não tem um prévio conhecimento sobre sua disciplina e não consegue aplicá-la de forma dinâmica e envolvente, muitas vezes perde o controle do momento de interação, e a aula vira um caos, a indisciplina impera dentro da sala.

 O professor passa a ter dificuldades de entendimento com os alunos, e consequentemente não consegue deixá-los sensibilizados para os valores de moralidade, não consegue fazer com eles as convenções, acordos, para mostrá-los que independente do que se vê fora da sala de aula, mesmo com toda a mídia e os meios de comunicações, ele, o professor, é a principal via de acesso para ajudá-los a chegar até o conhecimento.

Esse fato é apenas um dos vários que dão uma amostra do dia a dia e fala sobre o posicionamento do professor, tendo que ensinar os conhecimentos previamente estabelecidos pelo seu próprio programa e diretrizes do sistema educacional e ao mesmo tempo ter que educar os alunos, fazendo, em algumas situações, ás vezes dos pais.

Assim o educador em muitos casos fica em uma encruzilhada, sem saber se pode agir diretamente com o aluno ou se deve passar o problema no caso da indisciplina para os responsáveis do colégio, ou se fala diretamente com os pais. Os professores são as vítimas e muitas vezes os vilões da indisciplina, pois a grande maioria da sociedade exige deles todo o processo de ensino dos alunos, tanto a formação moral como a educacional.

Mas como em todas as áreas existem aqueles profissionais insatisfeitos e descompromissados com o seu papel na sociedade e a casos também de professores que não se interessam em ensinar nada alem do que lhe manda a sua disciplina, acreditando que sua aula é um momento de passar conteúdo e nada mais. Esses pretensos educadores não têm noção de suas responsabilidades, pois mesmo que o professor não tenha a obrigação de dar a educação que seria da família ao aluno, ele deve trabalhar com o educando, noções de moral, coletividade e disciplina.

 

 As questões ligadas á moral e á vida em grupo devem ser tratadas como conteúdo de ensino. Caso contrário, corre-se o risco de permitir que as crianças se tornem adultos autocentrados e indisciplinados em qualquer situação. (MESQUITA FILHO, 2002, p.80)

 

Como resolver a indisciplina na sala de aula? Essa Pergunta está longe de ser respondida, mas pode ser discutida e analisada, para tanto deve haver interesses das instituições e de todos os órgãos da sociedade, em chegar ao motivo ou aos motivos geradores dessa situação.

Pode ser que na discussão profunda e real, com o ânimo de todos que se chegará à solução, havendo um verdadeiro engajamento das partes gestoras assumindo de verdade os seus compromissos perante a educação. Não cabe mais os velhos discursos a procura de culpados, ou causadores da indisciplina na sala de aula.

A indisciplina na sala de aula é uma realidade diária, em que todos os envolvidos sofrem, não só o professor e a instituição, mas o próprio aluno causador da indisciplina, certamente esse aluno tem ou sofre algum tipo de tratamento inadequado, da sociedade, ou até mesmo dentro do seio familiar.

Um dos exemplos de tratamento inadequado, muitas vezes está ligado à falta ou excesso de limites, no convívio familiar, que acaba levando esse aluno a não entender que na convivência social existem limites, restrições e que todos têm que fazer concessões para o convívio social e principalmente em sala de aula.

 

Entendemos que o problema da disciplina é tarefa de todos: sociedade, família, escola, professor e aluno.  É assim que estamos entendendo esse processo de mudança: que cada segmento assuma suas responsabilidades específicas - que são evidentemente diferentes - e exija que os outros também assumam suas respectivas, enquanto todos se comprometem simultaneamente com a mudança das estruturas que estão por trás do problema. Sentimos necessidade de apontar para a mudança de enfoque: em vez de culpa, é preciso falar de responsabilidade. A culpa, por ser de “fora para dentro”, leva ao julgamento e à atitude de defesa, de transferência, de procurar jogar novamente para fora, buscando outro culpado; a preocupação maioracaba ficando em achar o culpado e não em resolver o problema. Responsabilidade, por ser algo mais de “dentro para fora”, chama para a ação, para o compromisso com a superação.

 (VASCONCELLOS, 1997, p.240)

                                

Enquanto não se encontrar as respostas para a solução da indisciplina, é preciso que todos, tanto as entidades educacionais os pais e os alunos tentem chegar um acordo de convivência, com solidariedade, buscando ajudar, e procurando entender os motivos do outro, para juntos avançarem na questão de que, todas as pessoas precisam e tem direito a ter acesso à educação e conhecimento para crescer, e que sem disciplina não se chega a lugar algum, e a humanidade não evolui.

 

 

3.      Considerações finais

 

A preocupação central gira entorna da temática da indisciplina na sala de aula, e toda a discussão faz criar um ambiente de ações, mesmo que nem todos se engajem nos diálogos e palestras para melhorar os relacionamentos entre pessoas, seja ele na sala de aula ou em qualquer meio.

A grande maioria dos educadores, pais e até mesmo alunos, buscam o entendimento, e isso acontece quando falam para uma ou mais pessoas sobre algum problema de indisciplina que lhe esteja incomodando, nesse momento mais um elo de discussão é fixado na corrente do entendimento. Seja em grupos ou separados todos tem buscado meios de resolver o problema da indisciplina em sala de aula.

 Entende-se que para sociedade avançar em seus conhecimentos deve continuar discutindo os problemas, e dessa maneira, havendo incessantes debates sobre o assunto é que possível chegar a um entendimento, que possa construir no seio social um ser humano ético e disciplinado, no sentido de entender e aceitar os códigos de convivência social. Na educação através das instituições, a criança e o jovem terá a chance de obter conhecimentos, para ser um adulto sabedor de todos os conceitos determinantes para a sua valorização e a do outro. 

A discussão sobre a indisciplina na sala de aula leva as instituições a um denominador comum, que é o diálogo entre as partes e quem sabe logo todos possam entender e responder a grande questão; como resolver a indisciplina na sala de aula?

 

  1. Referências:

 

ARAGÃO, A. Indisciplina. Escola Nova. São Paulo: Abril, 2009.

MESQUITA FILHO, J.  Indisciplina. Escola nova. São Paulo: Abril, 2009.

VASCONCELLOS, C.S. (in) Disciplina construção da Disciplina Consciente e Interativa em Sala de Aula e na Escola. São Paulo: Libertad, 2006.

VASCONCELLOS, C.S. Os Desafios da Indisciplina em Sala de Aula e na Escola. Nº 28. São Paulo: FDE, 1997. (Série Ideias).

Liduina Maria de Sousa Pereira é acadêmica do curso de Letras da Universidade do Estado de Mato Grosso e pesquisadora do Núcleo Wlademir Dias-Pino.
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1.11.10

A LITERATURA SOB A PRESSÃO DA NACIONALIDADE

Dante Gatto (UNEMAT) gattod@terra.com.br

 

A vida intelectual brasileira, no que se refere ao nacionalismo, repete, embora em menor grau, o conflito entre clássicos e românticos que dominou grande parte da intelectualidade européia. Na Europa, o conflito se deu entre o clássico - fundamentalmente o grego - e o romântico ou nacional. Na literatura brasileira esse antagonismo se efetivou entre o universalismo que, para nós, quase sempre se confundiu com o europeu, e a expressão da vida nacional ou regional.

O nacionalismo estético modernista, por sua vez, deita raiz no processo de normatização do Romantismo. Como argumenta Costa Lima (Literatura e nação: esboço de uma releitura. Revista Brasileira de literatura comparada. Rio de Janeiro: ABRALIC, n.03. p.33-9, 1996), nesse processo o Estado se apropria da literatura, orquestrando o “controle do imaginário”, uma arma dos Estados nacionais no enfrentamento que estabelecem entre si, apesar da velha razão que pensava e postulava a natureza humana sempre idêntica a si mesma. Havia uma legislação geral – política – e uma particular, poética, que, no fundo, era também política. Os juristas encarregavam-se da primeira; os teóricos, da segunda. No caso da política poética, entram em cena categorias como, por exemplo, a questão do tempo na peça teatral, o uso da linguagem etc. Trata-se de controle e não censura. Esta, explícita, media as duas legislações; o controle implica uma interdição extra “como se dissesse: não basta ser um bom e leal vassalo para que se tenha um digno poeta”. (op. cit).

Uma das tarefas do Estado é a propagação da literatura enquanto nacional. No romantismo, o Estado-nação se apropria da literatura na sua acepção moderna. Dois aspectos permanecem, observa Costa Lima. (op. cit.). O primeiro, mais rico, dionisíaco, pode, também, ser sintetizado pela terceira visão kantiana que designava a experiência propriamente estética. Trata-se da condição ouriço. A obra de arte é plena em si, independente do mundo que a circunda, impermeável a qualquer ideologia religiosa ou política. O segundo, diz das pessoas e das relações interpessoais. O primeiro critério destaca a propriedade interna do poético; o segundo acentua a capacidade automodeladora do criador. O romantismo normatizado (“ajusta a idéia de expressão individual ao espírito do povo”) legitima o poema como efeito de uma causa chamada nação. A nação era o todo, o poeta, parte dela. A literatura toma um duplo sentido ao longo do século XIX, marcado pelo positivismo: formação e educação. Aquela “conciliação dos contrários” de que falava Hegel, neste contexto, se rebaixa ao nível das ideologias.

Neste sentido, como confirma Luiz Costa Lima (op. cit.), valorizava-se a descrição da natureza e buscava-se, ao mesmo tempo, a sentimentalidade altissonante. O texto literário rompia o intercâmbio com a filosofia e, em troca, privilegiava a história e a sociologia nascente. O descritivismo, resultante da ênfase na história literária, é estimulado pelo rompimento do intercâmbio com a filosofia e ao se associar ao evolucionismo de raiz biológica (darwinista), motiva, entre nós, a busca de essencialismos nacionais (a mexicanidade, a brasilidade, a crioulidade etc.), que reforçam a visão homogênea da cultura. Não ser reconhecido por sua respectiva essência parecia não só provar que se estava diante de um imitador, como justificar a exclusão do panteão da nacionalidade. A boa literatura, neste caso, era aquela que, conforme ao padrão descritivo-realista, se revelasse acessível a interpretação alegorizante, isto é, a obra literária se reduzia a mera ilustração de um estado de coisas, e, como tal, utilizável pelo “aparelho ideológico do estado” (Costa Lima lembra Althusser).

A impossibilidade da condição ouriço, a condição da arte como infensa a qualquer ideologia, observa ainda Costa Lima (op. cit.), tornava a linguagem um simples meio para mostrar a transparência das coisas. A teorização por sua vez, ficava circunscrita e justificada no fato histórico e no condicionamento nacional.

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5.7.10

Está disponível o segundo número da Revista Alĕre

 

A Revista Alĕre surgiu no processo de sedimentação do Núcleo Estudos da literatura de Mato Grosso Wlademir Dias-Pino de Tangará da Serra. A idéia era de um periódico anual, voltado ao estudo da literatura mato-grossense e questões teóricas dela recorrente: o regionalismo com suas particularidades estéticas e a maneira como as demais regiões periféricas estão se resolvendo diante do cânone nacional, com abertura para abordagem teórica e crítica de obras significativas neste sentido.

Agora, ao ganhar sua versão eletrônica a Alĕre assume, também, o papel de veículo do Mestrado em Estudos Literários, tendo em vista o parecer favorável da 108ª Reunião do CTC CURSOS NOVOS 26 a 28 de maio de 2009 da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

A Universidade do Estado de Mato Grosso ao propor este projeto de Mestrado na área de Estudos Literários procurou externar coerência com o percurso de formação e pesquisa apresentado pelo seu corpo docente, ao mesmo tempo em que explicita sintonia com as necessidades locais. Tem-se, pois, como meta principal nortear o processo de formação de profissionais de alto nível, visando à competência técnico-científica dos professores que atuam nessa área de ensino e pesquisa em Mato Grosso e região. São duas as linhas de pesquisa desenvolvidas neste sentido: Literatura, História e Memória Cultural e Literatura e vida social nos países de Língua Portuguesa.

Os projetos de pesquisa atrelados à linha de pesquisa Literatura, História e Memória Cultural perfilam a produção literária de Mato Grosso como registro sine qua non de intersecções históricas, desde o processo de descobrimento de Mato Grosso em seus diferentes ciclos de colonização no século XX, e as expressões estéticas apresentadas por cada autor entre 1900 a 1970. São mais de cinqüenta anos de intensa produção cultural, cuja relação com a terra e com o povo, expressa fronteiras de um registro comprometido com as tradições e a cultura dos diferentes Mato Grossos que se anunciam em verso e prosa, ora publicados em livro, ora publicados em jornais da capital. É impressionante o desconhecimento absoluto dos mato-grossenses, alunos e leitores comuns, sobre a literatura produzida neste Oeste do Brasil. Esse fenômeno extremamente pernicioso já foi superado por estados como Rio Grande do Sul, Amazonas e Sergipe, por exemplo. Nesses, há uma imensa valorização da produção local como herança cultural, reconhecimento do processo histórico vivido por aquelas regiões como forma de garantir a consciência e o reconhecimento da diferença como exercício de cidadania e de valorização do individuo inserido em suas raízes e tradições.

A linha de pesquisa Literatura e vida social nos países de Língua Portuguesa traduz a mesma coerência com a qualificação e pesquisas em desenvolvimento. Os estudos comparados de literaturas de língua portuguesa têm avaliado as fronteiras e os diálogos estéticos e histórico-sociais estabelecidos por obras e autores de diferentes contextos sócio-culturais. Nessa direção, outras duas importantes literaturas de língua portuguesa são abordadas e estudadas em relação à brasileira: a literatura portuguesa e a literatura africana.

Neste sentido, resumindo e concluindo, a Revista Alĕre se propõe discutir a institucionalização canônica dos textos, analisando representações poéticas e ficcionais nos diversos contextos em que se inserem, atentando-se para a diversidade e intersecções estéticas e as articulações entre experiência vivida e organização social. Serão objetos de estudo narrativas, poemas, textos dramatúrgicos, contos, novelas e demais eventuais tipos de produções literárias, não só do Brasil mato-grossense, mas do nacional brasileiro como também Angola, Cabo Verde, Moçambique e Portugal.

 

SUMÁRIO

 

ARTIGOS

 

A ISOTOPIA DA CABOCLIDADE EM TEXTOS DE MONTEIRO LOBATO E ALMEIDA JÚNIOR  

Fabiane Borsato (UNESP)

Flávia Furlan Granato (CBM)

Roberta Reis Sensato (CBM)

 

PAISAGEM E MEMÓRIA NA FICÇÃO DO VISCONDE DE TAUNAY  

Olga Maria Castrillon-Mendes (UNEMAT)

 

CHAPEUZINHO VERMELHO – VISÃO E CONTRAVISÃO DE A PSICANÁLISE NOS CONTOS DE FADAS, DE BRUNO BETTELHEIM  

Profa. Dra. Marisa Martins Gama-Khalil (ILEEL/UFU)

Bruno de Sousa Figueira (PET/Letras - ILEEL/UFU)

Eduarda Lamanes Gomes (PET/Letras - ILEEL/UFU)

Gabriela Morais Carrijo Quianzala (PET/Letras - ILEEL/UFU)

Lívia Maria de Oliveira (PET/Letras - ILEEL/UFU)

Luísa Inocêncio Borges (PET/Letras - ILEEL/UFU)

Mariane Carrilho Costa (ILEEL/UFU)

Vânia Carolina Gonçalves Paluma (PET/Letras - ILEEL/UFU)

 

O TERRITÓRIO COMO PROTAGONISTA DA NARRATIVA CONTEMPORÂNEA  

Rôssi Alves Gonçalves (UFF)

 

NOVOS ESTATUTOS DE MEMÓRIA NA LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA: OS “MARGINAIS” 

Luciano Barbosa Justino (UFPB)

 

LAVOURA TRÁGICA NASSARIANA  

Maria José Cardoso Lemos (UERJ)

 

A PRÁTICA DA LEITURA EM MATO GROSSO NO SÉCULO XX: O PAPEL DAS BIBLIOTECAS 

Franceli Aparecida da Silva Mello (UFMT)

 

 

REEDIÇÕES

 

 

ASPECTOS DA LITERATURA DE MATO GROSSO

Rubens de Mendonça

 

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28.5.10

IV COLÓQUIO DE LETRAS DA UNEMAT: INTERAÇÃO SOCIAL

 

Mirian Cristina da Silva Schio – Pesquisadora do núcleo Wladimir Dias-Pino

 

Pode haver na sociedade barreiras das mais diversas formas: geográficas, econômicas, culturais, etária, mas nenhuma tão potente que a linguagem não transgrida. Pode-se cercear os homens, mas nunca a língua -  essa é dinâmica, evoluiu ao longo do tempo, sofre influência, se renova, pois na medida em que o homem evolui, evoluiu também suas necessidades e seus objetivos, bem como os métodos para alcançá-los, e não há como negar que a linguagem é a melhor ferramenta de conquistas e realizações; justamente esta  linguagem que nos diferencia e no caracteriza humanos e que é estuda desde os seus primórdios, suscitando cada vez mais interesse de pesquisa e resultando diferentes concepções.

Em meio a tantas buscas incansáveis, parece haver um denominador comum: a linguagem é um conjunto de signos convencionais que nos permite realizar atos de comunicação. Todavia, vista dessa forma, ainda que correta, a linguagem parece-nos possuir um quê de passividade. Tal visão comum é simplória, não abarca a dinamicidade e a efetiva atuação social da linguagem que vão além de signos convencionais.

 É preciso pensar que a linguagem se constitui de sujeito falante, sujeito ouvinte, intenção, momento, espaço temporal e geográfico, e mais; é preciso considerar a ideologia que constitui a linguagem e que atravessa os vários discursos: político, autoritário, literário, religioso. É justamente na arena dos discursos que se travam a luta pela persuasão, dominação, liderança, resistência, bem como se apresentam os conflitos gerados pelas diferenças. Todavia, a linguagem não é somente um instrumento pontiagudo de imperativismo e de digladiação, quando esta se encontra permeada pela intenção de promover o conhecimento, de trocar de informações, torna-se um laço que une culturas diferentes pela interação; uma interação que se dá das mais variadas formas ( música, poesia, teatro…). Nesse caso, a linguagem pode ser considerada arte. E é exatamente com esse espírito de arte que a UNEMAT promoverá nos dias 31/05, 01/06/ e 02/06 o IV Colóquio de Letras, um evento coordenado pela Prof. Me. Rejane Centurion Gambarra e Gomes, oferecido à comunidade de Tangará da Serra, no qual contaremos com a presença da Dra. Zadravka N. Ivanova, da Bulgária, e pesquisadoras de Timor Leste, o que confere ao evento caráter internacional, bem como também, com a presença de professores da rede pública e particular de ensino. Um evento que se fará por várias vozes de diferentes culturas, mas com um único objetivo: que a linguagem leve a todos, conhecimento, pois este sim, é a única ferramenta de libertação.   

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26.4.10

REFLEXÕES ACERCA DA ARTE

 

http://www.diariodaserra.com.br/showartigos.asp?codigo=139134

Dante Gatto

O fenômeno arte, pelo que me consta, é uma atividade especificamente humana. Somos um complexo de possibilidades que não se restringe a mera satisfação das necessidades imediatas à sobrevivência que se manifesta com poderosa força instintiva. No entanto, se diferenciamo-nos das outras espécies neste sentido, há um aspecto que nos aproxima dos animais chamados irracionais: somos gregários. Isto é, realizamo-nos a partir das nossas relações sociais. Dizendo de outra forma, carecemos de reconhecimento coletivo, nem que seja da nossa pequena comunidade, família… daquilo que queremos, acreditamos e fazemos.

Estes dois pólos efetivam a complexa natureza humana e suscitam um antagonismo básico do indivíduo com a coletividade.

O relacionamento imediato com a coletividade, nos torna, digamos assim, homens funcionais. Somos reconhecidos à priori pela nossa função social: aluno, professor, motorista, caixa de supermercado etc. Todos servindo à coletividade e à espécie. Mas isto, individualmente, não nos basta. Queremos mais. E este mais é de outra ordem.

Vejam que há uma tensão na base do fenômeno artístico, na configuração deste sistema. Ora, a coletividade institucionaliza o que se lhe apresenta favorável a sua sobrevivência. A coletividade, como um corpo, tem uma hierarquia de necessidades básicas e o indivíduo se curva a tal exigência funcional, afinal sobreviver é preciso. O artista será, pois, um indivíduo sensível e pensante, cidadão na mais profunda acepção da palavra, que questionará a ordem reinante das mais diversas formas e graus de aderência e contato social. Efetivar-se-á, enquanto artista, pelo reconhecimento da coletividade o que nem sempre acontece e, por vezes, implica um processo doloroso.

Não podemos dizer que a arte não esteja nos interesses da coletividade uma vez que, por exemplo, um músico ou um ator são reconhecidos pela sua funcionalidade, mas isto não aparece num primeiro momento. Em princípio, a esfera da arte é a individualidade. Só será reconhecida pela coletividade pelo empenho individual do artista no sentido de sensibilizá-la. A obra de arte, subjetiva e metafísica, requer que nós a compreendamos sentindo. Ela nos atinge por dentro, primeiramente, como um forno de microondas promove o aquecimento. A arte nos aquece nesta aproximação de nós para nós mesmos. Cumprimos, talvez, uma inquietação transcendental. Não sei. O homem funcional caminha, digamos assim, para fora, efetivando um contato direto com seus chamados semelhantes, enquanto que o artista caminha para dentro de si mesmo, procurando uma confirmação íntima dos pensamentos e ações da funcionalidade e aproximando os homens pelos aspectos mais profundos da condição humana.

Sensibilizar a coletividade é o desafio do artista que, aliás, assim se efetiva enquanto artista. Os interesses imediatos da coletividade tendem a inibir a capacidade humana de sentir para além dos impulsos básicos de sobrevivência. A arte tende a resgatá-los. O artista, portanto, aparentemente, lutará contra a coletividade, mas o objetivo último e a irmandade dos homens na busca da essência do ser, discernir o sentido mais profundo da vida e promover a felicidade humana, mesmo que ainda não tenhamos suficiente clareza deste mistério essencial. O reconhecimento coletivo, portanto, constitui o sucesso do artista e a vitória do ser.

Repetindo e resumindo: a arte está no criar, que está no sentir, que atravessa a superfície da vida, nossa funcionalidade social, para mergulhar nas profundas questões do Ser.

O inconsciente coletivo se pautará na média dos homens considerados normais (massa) e privilegiará a homogeneidade. A loucura, neste sentido, tem certa irmandade com a arte. O que a coletividade não assimila, ela tenderá a isolar e destruir. Muitos artistas extemporâneos são destruídos e, podemos até supor, que em muitos casos sua criação desapareça ou permaneça na obscuridade. Muitos são entendidos (assimilados pelo sentimento coletivo) muito tempo depois de sua passagem pelo mundo e há casos daqueles que morrem no anonimato e na miséria, e nada nos resta fazer a não ser a clara compreensão que a arte é maior que o artista. Neste caso, não há dor nem ranger de dentes. A arte salvou-se e o artista existe para a arte. Aliás, só o verdadeiro artista poderá entender tal verdade axiomática do ser.

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28.3.10

NÚCLEO Estudos da Literatura de Mato Grosso WLADEMIR DIAS-PINO completa dois anos de atividades

        

Dante Gatto 

  

   
 

 

         Em 07 de dezembro de 2007, o Núcleo Estudos da Literatura de Mato Grosso Wlademir Dias-Pino foi criado pela Resolução n.180/2007 – do Conselho de Pesquisa e Ensino da UNEMAT (Universidade do Estado de Mato Grosso).         Surgiu do grupo de pesquisa Estudos da Literatura de Mato Grosso, cadastrado no CNPq. Grupo e Núcleo são compostos por professores do Departamento de Letras do Campus Universitário de Tangará da Serra e dos demais campi. Em seu primeiro ano de existência (07 de dezembro de 2007 à 07 de dezembro de 2008), o Núcleo foi coordenado pela Professora Walnice Aparecida Matos Vilalva; em seu segundo ano de existência (07 de dezembro de 2008 à 07 de dezembro de 2009), por decisão do conselho deliberativo o Núcleo Wlademir Dias-Pino foi coordenado por Dante Gatto. O ano de 2010 será coordenado pela Professora Marinês da Rosa.

         Nestes dois anos, o Núcleo soma seis projetos de pesquisa. Publicações significativas como a Coleção Obras Raras, Organizada por Walnice Vilalva, compostas por clássicos da literatura mato-grossense que foram esquecidos na primeira edição: Mirko de Francisco Bianco Filho, Areotorare e Saroba de Lobivar Matos, Piedade de José de Mesquita, Era um Poaieiro de Alfredo Merien, Vozes femininas de Arlinda Morbeck, Amália Verlangieri e Vera Randazzo, Luz e Sombras de Feliciano Galdino de Barros e Caçadores de Diamantes de Luiz Sabóia. Todos da primeira metade do século XX.

            Organizado, também por Walnice Vilalva e Gilmar Laforga, com a parceria da SEMEC (Secretaria Municipal de Cultura) publicou-se o obra Vozes do assentamento Antonio Conselheiro, resultante do projeto “O homem e a terra: identidade e cultura popular no Assentamento Antonio Conselheiro”.

         O núcleo, também, sustenta a Revista Alĕre, voltada ao estudo da literatura mato-grossense e questões teóricas dela recorrente: o regionalismo com suas particularidades estéticas e a maneira como as demais regiões periféricas estão se resolvendo diante do cânone nacional, com abertura para abordagem teórica e crítica de obras significativas neste sentido. Estamos no segundo número e o periódico já se firma como importante bibliografia para o estudo da literatura na atualidade.

         O Núcleo centralizou todas as ações em torno do Programa de Mestrado em Estudos Literários no Campus Universitário de Tangará da Serra (PPGEL). Na primeira tentativa, em 2007, fomos avaliados com conceito 2 pelo CTC (Conselho Técnico Científico) da CAPES (Fundação coordenação de aperfeiçoamento do pessoal de nível superior) e, na segunda tentativa, em 2008, intensificando ações para participação dos docentes do Programa e dos burocratas da instituição conseguimos o conceito 3 (APROVAÇÃO), limitada as vagas à quinze candidatos. O resultado saiu da 108ª Reunião do CTC, CURSOS NOVOS de 26 a 28 de maio de 2009.

         O Núcleo Wlademir Dias-Pino esteve à frente da execução do Projeto PROGRAMA NACIONAL DE COOPERAÇÃO ACADÊMICA - PROCAD NOVAS FRONTEIRAS. O resultado foi divulgado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) do Ministério da Educação (MEC), em 23 de dezembro DE 2009.  O “PROCAD” está vinculado ao Mestrado Acadêmico Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários (PPGEL), coordenado por Walnice Vilalva, do Campus Universitário de Tangará da Serra e conta com a Universidade de São Paulo (USP) como instituições associadas. Serão quatro anos de investimento com missões de estudo, de docência e pesquisa e estágio pós-doutoral no país.

         O Núcleo Wlademir Dias-Pino idealizou, implantou e organizou um curso de literatura mato-grossense (Leitura de poesia mato-grossense), em 2008, aos alunos da graduação, cujos módulos foram ministrados pelos próprios alunos, com suporte da pesquisa que desenvolviam, e por alguns professores, a saber: Maykson Mardônio Cardoso de Sousa, “Lucinda Persona, epifania nos cantos da casa”; Marta Helena Cocco, “A poesia inflamável de Antonio Carlos Lima”; Karina Aparecida Justino, “Os sonetos de José de Mesquita”; Humberto Massahiro Nanaka, “A poesia em Wlademir Dias-Pino”; Kelem Fabiana Casturino, “A poesia de Marta Cocco”; Everton Almeida Barbosa, “A desutilidade poética de Manoel de Barros”; Rejane Teresinha Puntel Tach, “a feminilidade na poesia: do séc. XIX ao contemporâneo de Mariza Ribeiro”; Dante Gatto, “A sinestesia como fulcro da metapoesia de Manoel de Barros”; Daniele Cristina da Silva, “A lírica de autoria feminina em Mato Grosso: Arlinda Morbeck e Amália Verlangiere”.

         O Núcleo Wlademir Dias-Pino promoveu duas edições seguidas de concurso literário, nas formas poema e conto, no primeiro e segundo semestre de 2009. Foram vencedores da primeira edição, no primeiro semestre de 2009, na forma conto: Paulo Sergio Soares Silva, Elisangela Assunção Pedra e Thabatha Ferreira dos Santos; e na forma poema: Samuel Lima da Silva, Luiz Carlos Cembrani e Cleunice Benedito da Silva. Na segunda edição, no segundo semestre de 2009, foram vencedores, na forma poema: Valdirene Pereira de Oliveira, Leidiane dos Santos Fernandes e Wellington Dôrileo Inhamu; e na forma conto: Mirian Cristina da Silva Schio, Samuel Lima da Silva, Abielly Yasmin Valgoi da Silva, Simone Aparecida de Matos e Thuane Lazzarotto Miotto.

         O Núcleo Wlademir Dias-Pino ofereceu curso de pós-graduação lato senso, de literatura mato-grossense (440 horas), em Tangará da Serra e Cuiabá. Importante destacar o custo de tais cursos: taxa única de R$ 180,00. Há uma terceira turma, iniciada em Tangará da Serra e interrompida, por decisão do colegiado regional da UNEMAT, mas acreditamos conquistar condições propícias para continuá-lo.

         O Núcleo Wlademir Dias-Pino participou ativamente das grandes decisões institucionais, promovidos pela Associação dos docentes (ADUNEMAT) que, inclusive, criaram condições propícias à Aprovação do Mestrado Institucional em Estudos Literários:

·        Lei Complementar N° 319, de 30 De Junho de 2008, que altera dispositivos da Lei Complementar nº 30, de 15 de dezembro de 1993 que criou a instituição. A Lei Complementar n. 319 estabelece uma estrutura mais adequada à democracia organizacional e, conseqüentemente, à pesquisa;

·        Lei Complementar n. 320 que altera o Plano de Carreiras, Cargos e Salários dos docentes, instituindo, como opção, o regime de Dedicação Exclusiva, o que ampliará em muito às possibilidades de pesquisa.

E a luta continua em muitas frentes, notadamente para efetivar as decisões do II Congresso Universitário, ocorrido em 2008 e ainda não assimilado pela máquina burocrática da UNEMAT.

         Resumindo e concluindo, os pesquisadores do Núcleo Wlademir Dias-Pino trabalharam intensamente estes dois primeiros anos de existência e participaram efetivamente dos momentos significativos ao amadurecimento institucional.

 

 

 

 

 

 

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18.12.09

CONVERSAS COM OS PROFESSORES DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO SOBRE PESQUISA

 

Dante Gatto, professor da Unemat e Coordenador do Núcleo Wlademir Dias-Pino

 

É muito difícil dizer o óbvio. É difícil porque todos pensam que sabem e não ouvem. Então, primeiramente, peço-lhes que me ouçam. Eu pensei muito no que dizer quando se anunciou o tema deste encontro: pesquisa. Até selecionei alguns artigos em torno do assunto que vieram à luz nos últimos anos, espontaneamente. O que é, afinal, pesquisa? É claro que eu nunca lecionei nas séries iniciais, nem no segundo grau, tenho experiência somente no nível superior. Então você poderá me dizer que eu não sei o que eu estou dizendo. Minha reação diante disto será a de um pesquisador. Vou responder-lhe que eu não estou aqui para ensinar, mas para aprender a ensinar, absorvendo a realidade em constante processo de transformação e de experiências.

Bem, deixe-me começar por uma assertiva que me dará substrato para conduzir uma argumentação. Professor tem de ser pesquisador. E se formos refletir na nossa cultura educacional, não necessariamente todo professor é pesquisador. O que faz um professor ser pesquisador? Vamos pensando. Vou animar a coisa com mais uma assertiva: Professor para ser Educador tem de ser Pesquisador. Pois é, eis a fórmula: Professor + Pesquisador = Educador. A realidade da Educação caminha neste sentido. Penso que teremos, em breve, um termo que abarque estes três.

         Talvez, a maneira mais prática em esclarecer o que eu estou dizendo seja pensar a prática do professor. Todos aqui somos professores, mas será que somos pesquisadores? Qual deve ser a postura de um pesquisador? Paulo Freire significativamente falava em “educação bancária” que implicava uma relação unilateral do “eu” que ensina e do “tu” que aprende. O educador bancário não é um educador na acepção da palavra que procuro esclarecer aqui. O que, fundamentalmente, faz o professor-pesquisador-educador? Insere seus educandos-educadores (parafraseando Freire) no processo de reflexão em torno de um determinado conteúdo. É claro que isto implica uma postura dialética diante do conhecimento, uma mudança no nível de relacionamento entre professor e aluno, uma nova postura diante do que para o professor bancário seria um erro. Vejam bem, nesta nova postura, o privilégio maior fica para a reflexão e não, necessariamente, para o acerto ou o erro. Ora, para o pesquisador e o intelectual, isto não é difícil de entender. Sabemos que é melhor errar refletindo do que acertar sem reflexão. Dizendo de outra forma: a reflexão é o exercício do intelectual. A reflexão é, portanto, condição fundamental da pesquisa.

         O professor pesquisador insere seus alunos num processo de reflexão em que não existe verdade absoluta. É preciso lembrar que está dinâmica educacional é extremamente motivadora. A prática demonstra que o maior motivador ao educando é a perspectiva da criação, isto é, sentir-se criador. A educação bancária não proporciona isto. A educação para a pesquisa acorda impulsos inerentes a natureza humana que consiste em transcendência e autonomia o que determina o fenômeno humano.

         Vejam, na prática a coisa funciona assim: o professor não deve dizer “é assim e acabou”, mas, como já dissemos, inserir o alunado na reflexão sobre determinado assunto. Ora, aqui entra a leitura das fontes. Em lugar, pois, da afirmação peremptória, cabe colocar, mais ou menos assim: “o pesquisador fulano de tal disse isto um, sicrano disse isto dois, portanto, podemos concluir isto três. Estamos nós agora, enquanto pesquisadores, na perspectiva, da qual devemos participar, em busca do isto quatro”. Isto não é uma fórmula, é só um exemplo.

         O que é a verdade sem a pesquisa: vaticínio. Tem um valor reconhecido e significativo na esfera da religião e da poesia. Acordará, depois de si, infinitas pesquisas que situará os homens e o pensamento humano. Necessárias igualmente estas. E aqui nos situamos, institucionalizando a verdade do real como verdade científica.

         É aqui, caríssimos colegas, que entra a metodologia do trabalho científico que implicará exatamente inserir o aluno no processo do pensamento científico. Não se trata, pois, de mera estética do texto científico (e quantas vezes não ouvi tal asneira), mas uma uniformidade que identifica quem é quem no processo científico. Como já disse, a dinâmica é bastante motivadora. Temos de pensar, e levar o aluno a pensar, dentro desta dinâmica que implica um movimento dialético. O aluno saberá se situar e se posicionar diante da verdade em movimento. Indicamos fontes, autores que inseriram idéias significativas sobre determinado conteúdo, fazemos analogias, situamos nosso objeto de estudo que seja, e o aluno se sentira incluso num processo de construção de um pensamento, mesmo sem ele ter dado uma contribuição original que só fará com a dissertação e a tese. Cabe a nós professores-pesquisadores motivá-los acordando-lhes o espírito criador, como já disse, inerente a fenômeno humano.

         A metodologia do trabalho científico, na qual se inclui a construção de um trabalho de grau com todas aquelas regras chatíssimas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) acaba sendo grandemente simplificada quando descobrimos que tudo aquilo faz sentido, porque está no processo de identificação das fontes e avanço do pensamento. Temos de dar clareza aos nossos alunos deste sentido. Temos que dar clareza de quem disse o que, porque disse e o que eu estou dizendo agora e porque estou dizendo. O quê é de quem. Vejam bem, “assim caminha a humanidade”. E eu, enquanto pesquisador, estou me inserindo neste processo e dando a minha contribuição. Como hes disse, mais de uma vez: isto é extremamente motivador.

         Acho que estamos em condição agora para falar do currículo lattes. Temos todos que estar cadastrado na plataforma lattes (http://www.cnpq.br) onde se alojam todos os dados dos pesquisadores brasileiros no que conhecemos por currículo lattes. E qual é a funcionalidade desse instrumento? Situá-lo enquanto pesquisador: localização institucional, nível, projeto, linha de pesquisa etc. Trata-se de um sistema operacional, dividido nas grandes áreas de conhecimento instituídas pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). O lattes constitui-se a materialidade em dados e números do nosso lugar no universo da pesquisa. O processo está em constante transformação, mas, uma vez inserido fica fácil assimilar tais modificações. Temos de fazê-lo. Não sei se minha argumentação deu clareza do que vou afirmar agora. É nossa obrigação de Professor-Pesquisador-Educador a inserção neste processo. Não é difícil. Se for o caso, temos de vencer as eventuais rejeições à informática e, como às regras das ABNT, entendê-la inerente a um processo dignificante que implica, resumindo e concluindo, educação.

 

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14.12.09

O caso Wlademir Dias-Pino: dívidas, lambança e promessa

           

            Liduina Maria de Sousa Pereira

 

           

         Nos últimos dias de novembro de 2009, tivemos a oportunidade de assistir a uma palestra do historiador Wilson Santos, também prefeito de Cuiabá, no auditório do campus da Unemat de Tangará da Serra. O tema foi a história de Mato Grosso. A comunidade acadêmica apreciou muito, extrapolando as expectativas pela competência e elegância do palestrante e, notadamente, o profundo conhecimento histórico. Agradável e útil para todos: não só aos ufanistas da nossa cultura, mas, também, para aqueles que vão prestar o concurso público, anunciado para janeiro de 2010.

         Mas nem tudo foram rosas. O caso Wlademir Dias-Pino veio a luz da nossa consciência atormentada de cidadãos, se bem que nem todos ainda conhecem o referido poeta. Wlademir Dias-Pino é um dos nomes mais respeitados da poesia visual brasileira, participou da gestação da poesia concreta, nos meados dos anos 50, junto com Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Augusto de Campos, Ronaldo Azeredo e Ferreira Gullar. Isto quando morava ainda em Cuiabá. Criador dos livros-poema Ave (1954) e Sólida (1956) e propulsor do movimento Poema/Processo, participou da Primeira Exposição Nacional de Arte Concreta, em São Paulo, em 1956, e no Rio de Janeiro, em 1957. Em 1958, realizou no carnaval a primeira decoração geométrica das ruas cariocas. É o responsável pela criação do logotipo da UFMT e durante 10 anos trabalhou na organização de carnavais promovidos pela Prefeitura de Cuiabá. Em 1968, participou da Primeira Bienal de Arte Moderna de Nuremberg (Alemanha).

         Wlademir Dias-Pino está profundamente ligado a história literária de Mato Grosso. Há, pois, uma dívida histórica para com ele, de Mato Grosso, tendo em vista que, como dissemos, pouco se sabe do seu papel. No entanto, não é desta dívida que pretendemos tratar neste momento, mas de uma outra, bem mais fácil de ser paga. Eu explico o espinho. O poeta idealizou um projeto de escultura para a Praça 8 de abril que foi inaugurada pelo Prefeito Wilson Santos às vésperas do primeiro turno da eleição municipal, mas ainda não recebeu nenhum pagamento pelo trabalho. Não houve a assinatura de um contrato para referendar legalmente o pagamento. Na verdade, não há culpados, mas como o próprio prefeito comentou: uma “lambança” protagonizada pelos seus assessores.

         Wlademir mora atualmente no Rio de Janeiro, está com 82 anos e passa por um complexo tratamento de saúde, precisando de recursos financeiros para lutar contra a doença.

         Levamos o caso ao historiador-prefeito, imediatamente depois da palestra que nos referimos nas primeiras linhas deste texto. Estamos esperançosos. Ora, o profundo conhecedor da nossa história, dos seus heróis, sem dúvida, não perderá a oportunidade de fazer história, fazendo a coisa certa: redimindo o passado, que deixou o célebre poeta desconhecido dos mato-grossenses, e justificando o presente, efetivando o justo pagamento que significará mais para ele do que todas as homenagens póstumas.

         Vamos ficar aguardando.

 

Liduina Maria de Sousa Pereira

 

 

Pesquisadora do Núcleo Wlademir Dias-Pino

Pesquisadora do Núcleo Wlademir Dias-Pino

 

 

 

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