Liduína Maria de Sousa Pereira
Universidade do Estado de Mato Grosso
Resumo
A indisciplina na sala de aula é um desafio para as instituições sociais. O objeto de estudo é bastante amplo e tem várias interpretações, pois é exatamente por ter muitas faces que a indisciplina na sala de aula tem intrigado bastante a todos que se colocam na busca de uma solução ou de uma verdade para essa realidade que acontece principalmente entre o professor e o aluno. A análise das causas e das consequencias do surgimento, ou melhor, do aumento da indisciplina e algo que todos desejam entender e sanar. No enfrentamento dessa crise, a sociedade por meio de seus representantes: pesquisadores, gestores etc. Vem tratando de discutir e procurar formas de chegar a uma resposta, para que o ato de estudar seja apenas um momento de aprendizado e prazer entre o professor e o aluno.
Palavras chaves: Indisciplina; Educação; Sala de Aula.
Resumen
La indisciplina en el aula es un desafío a las instituciones sociales. El objeto de estudio es muy amplio y tiene varias interpretaciones, es precisamente por haber muchas caras que la indisciplina en el aula ha intrigado lo suficiente como para todos los que se ponen en la búsqueda de una solución o una verdad a esta realidad particularmente cierto entre los profesor y el alumno. El análisis de las causas y consecuencias de la aparición, o más bien el aumento de la indisciplina y algo que todo el mundo quiere entender y remediar. Para hacer frente a esta crisis, la sociedad a través de sus representantes: investigadores, gestores, etc, está tratando de discutir y buscar la manera de llegar a una respuesta, que el acto de estudiar es un momento de placer y de aprendizaje entre el profesor y el estudiante .
Palabras claves: Educación; perturbador; Clase.
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- Introdução
Este trabalho visa à análise da questão indisciplina na sala de aula, o objetivo é propor a continuação das discussões entorno de um dos assuntos mais discutidos atualmente na sociedade, esse acontecimento nas escolas leva a todos a quererem saber os porquês das causas e conseqüências desse fenômeno, que assola as salas de aulas da rede de educação. São muitos os questionamentos para se chegar às respostas.
Para tanto iremos analisar textos de renomados pesquisadores, onde destacamos: (Vasconcellos, 2006), (Mesquita Filho, 2009), (Aragão A, 2009), para que assim através de seus pareceres possamos chegar a um texto, que também contribua com a continuação dessa discussão, acreditando que a indisciplina na sala de aula seja algo que venha a desaparecer em um futuro próximo.
- Falta de “Educação” gera indisciplina
O que motiva a indisciplina na sala de aula? A resposta é o desejo de toda a sociedade, e na busca de resposta existem várias teorias, pois para uns é o modo como o aluno reage negativamente ás imposições de regras e limites, dentro da família, no colégio e em todo o seu ambiente social, já para outros, a indisciplina se dá pelo fato contrário, é a autodefesa de regras e limites exagerados.
Na sociedade todos sabem que tem regras de convivência, são essas imposições que tornam o ser um sujeito social, porém a criança e o adolescente, são pessoas que ainda estão em formação, precisam ter acesso às regras sociais para que se formem pessoas sociáveis.
Para tanto deve ser mostrado ou ensinando a eles todos os códigos de ética e convivências sociais, por todas as instituições. A criança faz parte de uma grande rede social envolvendo principalmente a família e a escola, o aluno deve saber que ele tem que obedecer aos regimentos éticos e morais do colégio onde estuda, e também aos seus pais. Entretanto, na forma como tudo é colocado para a criança, é que está o problema. Em algumas entidades tudo é levado ao extremo, já em outras, o que manda é a vontade do aluno e até mesmo com a intromissão de seus pais, determinando como ele deve ser tratado e impondo exclusividade dentro da instituição.
Existem também os casos de desajustes familiares, onde pais sem nenhuma estrutura social e psicológica para educar seus filhos, passam informações negativas e erradas para os mesmos através de seus exemplos de vida, e assim a criança vive em vários mundos e conceitos de certo ou errado, pois a cada meio social que convive, seja na escola com os amigos ou no lar e vai ser formando um ser social sem referência de educação e convívio social. Esse é um dos agravantes para o surgimento do aluno indisciplinado, transformando-se no adulto com vários transtornos sociais.
São múltiplos os exemplos para a melhoria da educação e para a construção de um melhor relacionamento entre aluno e professor, um deles é a autoridade do profissional, ele tem que ser visto como alguém que tem compromisso profissional e possui, entre outros, o direito e o dever de intermediar o conhecimento socialmente produzido para o educando, outro é o reconhecimento e valorização da família como um núcleo gerador das primeiras noções de cidadania e valorização do próximo, aprendendo que deve respeitar o conhecimento e a autoridade é que o aluno poderá respeitar as instituições.
Muitas vezes o professor não conseguiu disciplina porque não tem autoridade diante dos alunos. Normalmente o professor espera que o aluno traga um reconhecimento natural para com sua pessoa; historicamente, este tempo passou. Isso acontecia quando a escola representava um inquestionável caminho de ascensão social e, dessa, forma, o professor era um dos seus representantes mais qualificados e como tal era tratado ( ainda que fosse um respeito meramente formal). Hoje tudo mudou esse tratamento de respeito tem de ser conquistado pelo professor. (VASCONCELLOS, 2006, p.54)
Hoje a relação entre professor e aluno, está muito tumultuada, pois as convenções os valores muitas vezes não se encaixam. Em virtude da globalização e do uso das diferentes mídias, os alunos se entediam ao ficarem sentados diante de uma pessoa falando para eles o que podem ver ou ficarem sabendo apenas em um click no computador. É indiscutível a falta de vontade de um grande numero de alunos em ficarem em sala de aula em virtude desse e de outros motivos aqui já citados.
As crianças não enxergam a utilidade de um regimento ou dos famosos combinados que não se sustenta. Elas não sentem a necessidade de respeitá-los e acabam até se voltando contra essas normas. (ARAGÃO, 2009, p.79)
Quando o professor não tem um prévio conhecimento sobre sua disciplina e não consegue aplicá-la de forma dinâmica e envolvente, muitas vezes perde o controle do momento de interação, e a aula vira um caos, a indisciplina impera dentro da sala.
O professor passa a ter dificuldades de entendimento com os alunos, e consequentemente não consegue deixá-los sensibilizados para os valores de moralidade, não consegue fazer com eles as convenções, acordos, para mostrá-los que independente do que se vê fora da sala de aula, mesmo com toda a mídia e os meios de comunicações, ele, o professor, é a principal via de acesso para ajudá-los a chegar até o conhecimento.
Esse fato é apenas um dos vários que dão uma amostra do dia a dia e fala sobre o posicionamento do professor, tendo que ensinar os conhecimentos previamente estabelecidos pelo seu próprio programa e diretrizes do sistema educacional e ao mesmo tempo ter que educar os alunos, fazendo, em algumas situações, ás vezes dos pais.
Assim o educador em muitos casos fica em uma encruzilhada, sem saber se pode agir diretamente com o aluno ou se deve passar o problema no caso da indisciplina para os responsáveis do colégio, ou se fala diretamente com os pais. Os professores são as vítimas e muitas vezes os vilões da indisciplina, pois a grande maioria da sociedade exige deles todo o processo de ensino dos alunos, tanto a formação moral como a educacional.
Mas como em todas as áreas existem aqueles profissionais insatisfeitos e descompromissados com o seu papel na sociedade e a casos também de professores que não se interessam em ensinar nada alem do que lhe manda a sua disciplina, acreditando que sua aula é um momento de passar conteúdo e nada mais. Esses pretensos educadores não têm noção de suas responsabilidades, pois mesmo que o professor não tenha a obrigação de dar a educação que seria da família ao aluno, ele deve trabalhar com o educando, noções de moral, coletividade e disciplina.
As questões ligadas á moral e á vida em grupo devem ser tratadas como conteúdo de ensino. Caso contrário, corre-se o risco de permitir que as crianças se tornem adultos autocentrados e indisciplinados em qualquer situação. (MESQUITA FILHO, 2002, p.80)
Como resolver a indisciplina na sala de aula? Essa Pergunta está longe de ser respondida, mas pode ser discutida e analisada, para tanto deve haver interesses das instituições e de todos os órgãos da sociedade, em chegar ao motivo ou aos motivos geradores dessa situação.
Pode ser que na discussão profunda e real, com o ânimo de todos que se chegará à solução, havendo um verdadeiro engajamento das partes gestoras assumindo de verdade os seus compromissos perante a educação. Não cabe mais os velhos discursos a procura de culpados, ou causadores da indisciplina na sala de aula.
A indisciplina na sala de aula é uma realidade diária, em que todos os envolvidos sofrem, não só o professor e a instituição, mas o próprio aluno causador da indisciplina, certamente esse aluno tem ou sofre algum tipo de tratamento inadequado, da sociedade, ou até mesmo dentro do seio familiar.
Um dos exemplos de tratamento inadequado, muitas vezes está ligado à falta ou excesso de limites, no convívio familiar, que acaba levando esse aluno a não entender que na convivência social existem limites, restrições e que todos têm que fazer concessões para o convívio social e principalmente em sala de aula.
Entendemos que o problema da disciplina é tarefa de todos: sociedade, família, escola, professor e aluno. É assim que estamos entendendo esse processo de mudança: que cada segmento assuma suas responsabilidades específicas - que são evidentemente diferentes - e exija que os outros também assumam suas respectivas, enquanto todos se comprometem simultaneamente com a mudança das estruturas que estão por trás do problema. Sentimos necessidade de apontar para a mudança de enfoque: em vez de culpa, é preciso falar de responsabilidade. A culpa, por ser de “fora para dentro”, leva ao julgamento e à atitude de defesa, de transferência, de procurar jogar novamente para fora, buscando outro culpado; a preocupação maioracaba ficando em achar o culpado e não em resolver o problema. Responsabilidade, por ser algo mais de “dentro para fora”, chama para a ação, para o compromisso com a superação.
(VASCONCELLOS, 1997, p.240)
Enquanto não se encontrar as respostas para a solução da indisciplina, é preciso que todos, tanto as entidades educacionais os pais e os alunos tentem chegar um acordo de convivência, com solidariedade, buscando ajudar, e procurando entender os motivos do outro, para juntos avançarem na questão de que, todas as pessoas precisam e tem direito a ter acesso à educação e conhecimento para crescer, e que sem disciplina não se chega a lugar algum, e a humanidade não evolui.
3. Considerações finais
A preocupação central gira entorna da temática da indisciplina na sala de aula, e toda a discussão faz criar um ambiente de ações, mesmo que nem todos se engajem nos diálogos e palestras para melhorar os relacionamentos entre pessoas, seja ele na sala de aula ou em qualquer meio.
A grande maioria dos educadores, pais e até mesmo alunos, buscam o entendimento, e isso acontece quando falam para uma ou mais pessoas sobre algum problema de indisciplina que lhe esteja incomodando, nesse momento mais um elo de discussão é fixado na corrente do entendimento. Seja em grupos ou separados todos tem buscado meios de resolver o problema da indisciplina em sala de aula.
Entende-se que para sociedade avançar em seus conhecimentos deve continuar discutindo os problemas, e dessa maneira, havendo incessantes debates sobre o assunto é que possível chegar a um entendimento, que possa construir no seio social um ser humano ético e disciplinado, no sentido de entender e aceitar os códigos de convivência social. Na educação através das instituições, a criança e o jovem terá a chance de obter conhecimentos, para ser um adulto sabedor de todos os conceitos determinantes para a sua valorização e a do outro.
A discussão sobre a indisciplina na sala de aula leva as instituições a um denominador comum, que é o diálogo entre as partes e quem sabe logo todos possam entender e responder a grande questão; como resolver a indisciplina na sala de aula?
- Referências:
ARAGÃO, A. Indisciplina. Escola Nova. São Paulo: Abril, 2009.
MESQUITA FILHO, J. Indisciplina. Escola nova. São Paulo: Abril, 2009.
VASCONCELLOS, C.S. (in) Disciplina construção da Disciplina Consciente e Interativa em Sala de Aula e na Escola. São Paulo: Libertad, 2006.
VASCONCELLOS, C.S. Os Desafios da Indisciplina em Sala de Aula e na Escola. Nº 28. São Paulo: FDE, 1997. (Série Ideias).
Liduina Maria de Sousa Pereira é acadêmica do curso de Letras da Universidade do Estado de Mato Grosso e pesquisadora do Núcleo Wlademir Dias-Pino.